Mestre Waldemar

Nombre: Waldemar Rodrigues da Paixão
Pais: Brasil
Ciudad: Salvador
Ficha de nacimiento: 22-02-1916
Defuncion: 00-00-1990
Origen: Mestre Ricardo de Cais do Porto, Talabi, Siri de Mangue, Canário Pardo
1)
Mestre Waldemar, Waldemar Rodrigues da Paixão, mestre de capoeira
baiano (Ilha de Maré, Bahia 1916 – Salvador, Bahia 1990) também
conhecido como Waldemar da Liberdade ou Waldemar do Pero Vaz, dos nomes
do bairro e da rua onde implantou sua capoeira.
A
fama de Waldemar como capoeirista e mestre de capoeira aparece nos anos
1940. Ele implanta um barracão na invasão do Corta-Braço, futuro bairro
da Liberdade, onde joga-se capoeira todos os domingos, também ensinando
na Rampa do Mercado na Cidade Baixa. Fica conhecida a diversidade dos
jogos que ele pratica, dos mais lentos aos mais combativos, com afirmada
preferencia para os primeiros.
Durante
os anos 50, a capoeira dele na Liberdade atrai acadêmicos, artistas e
jornalistas. Os etnólogos Anthony Leeds em 1950 e Simone Dreyfus em 1955
gravam o som dos berimbaus. O esculpidor Mário Cravo e o pintor Carybé,
também capoeiristas, freqüentam o barracão. Mais tarde, a maior parte
dos capoeiristas de nome afirmam ter ido na capoeira de Waldemar, na de
Mestre Cobrinha Verde no bairro de Nordeste de Amaralina et na de Mestre
Bimba.
De
acordo com Albano Marinho de Oliveira (1956), o grupo da Liberdade
começou a cantar demorados solos antes do jogo (hoje chamados
ladainhas). O próprio Waldemar revindicou, em depoimento a Kay Shaffer,
ter inventado de pintar o berimbau. A fabricação e venda para os
turistas de berimbau foi uma fonte de renda para mestre Waldemar.
Waldemar,
como bom capoeirista, andou na sombra. Ficou discreto sobre suas
atividades e breve em sua fala. Mal existem fotos dele antes de velho.
Não procurou a fama e, apesar de seu notado talento de cantor e de
tocador de berimbau, não integrou muito o mercado de espetáculo
turístico. Também, a música que se escuta nas gravações de 1950 e 1955 é
coletiva, sempre tendo, ao menos, um dialogo de dois berimbaus. Assim,
Jorge Amado menciona Mestre Traíra, também da Liberdade, como assíduo
visitante de Waldemar.
Velho
e impossibilitado de jogar capoeira e de tocar berimbau pela doença de
Parkinson, Waldemar ainda aproveitou um pouco do movimento de resgate
das tradições dos anos 1980, cantando em diversas ocasiões e gravando CD
com Mestre Canjiquinha.
2) Mestre Waldemar (1916 – 1990)
Mestre Waldemar
Da Paixão, da Liberdade, da Avenida Peixe, capoeirista conhecido pelos
seus berimbaus coloridos e por sua voz inconfundível. Iniciou na
capoeira com 20 anos de idade, em 1936, foi aluno de Canário Pardo,
Periperi, Talabi, Siri de Mangue e Ricardo de Ilha de Maré. Começou a
ensinar capoeira em 1940, na Estrada da Liberdade, no inicio era ao ar
livre e depois passou para um barracão de palha que ele mesmo construiu.
O local virou ponto de encontro dos capoeiristas baianos, e aos poucos a
roda de mestre Waldemar foi se tornando muito famosa e todos os
capoeiristas da Bahia iam lá jogar. No livro Bahia: imagens da terra e
do povo, publicado em 1964, Odorico Tavares assim descreve uma roda de
Waldemar no Domingo a tarde, no Corta Braço, na Estrada das Boiadas,
destacando a qualidade do mestre como cantador: “Com os tocadores ao seu
lado o mestre levanta a voz, iniciando o canto. Os jogadores, em número
de dois, estão de cócoras, à sua frente. É lenta a toada que o mestre
canta , como solista e já os capoeiristas acompanham-no em movimentos
mais lentos ainda, como cobras que começam a mover-se: olhe o visitante
atentamente, como aqueles homens nem ossos tivessem, seus membros
parecem que recebem um impulso quase insensível, de dentro para fora.(…)
Os homens não se tocam para defesa e ataques que se sucedem em
imprevistos de segundos. É um milagres em que a violência de um ataque
resulte em outro ataque, em que ninguém se toca, ninguém se fere,
ninguém se agride. É combate, é baile que dura horas.”
Mestre
Waldemar sempre procurou um bom convívio com todos os capoeiristas
recebendo todos em seu barracão com muito respeito e também sendo muito
respeitado. O seu reconhecimento com Mestre evitava conflitos provocados
pelos chamados ‘valentões’. Sobre esses conflitos Waldemar nos conta:
“Barulho eu nunca tive com ninguém, porque eu sempre fui respeitado,
nunca ninguém me desafiou. Se me desafiava para jogar, Mestre que
aparecia aqui, a minha cabeça resolvia.(…) Me respeitavam muito os meus
alunos. E não tinha barulho, porque eu olhava para eles assim, eles
vinha pro pé de mim e ninguém brigava.”
O
canto e o toque de berimbau não eram suas única habilidades o mestre
também era um exímio jogador de capoeira. Ele relembra: “Quando eu
jogava, eu dizia: toque uma angola dobrada. É um por dentro do outro,
passando, armando tesoura, se arriando todo. Parece que eu tô vendo eu
jogar. Eu joguei muito.(…) Eu gostava de jogar
lento, pra saber o que faço. Pelo meu canto você tira. Eu canto pra
qualquer um menino desse jogar, e ele jogo sem defeito. Para os meus
alunos eu digo que vou cantar e eles já sabem o que eu quero: são bento
pequeno. É o primeiro toque meu. Para o outro tocador eu digo : ‘de cima
para baixo’, e ele sabe que é são bento grande. Para viola eu digo:
‘repique’, e ele bota a viola pra chorar.”
Mestre
Waldemar conta que no seu tempo, e nas suas aulas a capoeira era
ensinada na roda, mas que também havia os dias de treino. “Eles jogavam e
eu fazia sinal pra fazer tesoura, fazia sinal pra chibatear, fazia
sinal pro outro abaixar. “
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